Mufasa sempre falou do ciclo sem fim, onde tudo está interligado como uma grande teia que se move em prol de um bem maior coletivo. Agora, seu filho o rei Simba, Nala e os recém-casados Kiara e Kovu, rugem em cima da pedra do rei ecoando o som de um novo ciclo que se inicia.
Mais brando.
Mais empático.
Onde um exílio não divide mais os leões uns dos outros, dando exemplo para as outras criaturas de que o perdão e o amor podem ser as bases para um novo recomeço.
Os animais celebram olhando para cima, fazem o mesmo os quatro protagonistas da cena, olhando com carinho uns para os outros. Simba e nala estão orgulhosos de sua filha, que com coragem e determinação deu o primeiro passo para que tudo isso viesse a existir.
Os animais celebram olhando para cima, fazem o mesmo os quatro protagonistas da cena, olhando com carinho uns para os outros. Simba e nala estão orgulhosos de sua filha, que com coragem e determinação deu o primeiro passo para que tudo isso viesse a existir.
Os quatro encerram a cerimônia orientados por Rafiki.
-Kiara, sua calda...- avisa Kovu, a leoa percebe que está abanando de forma exagerada e sorri com isso.
-Se você soubesse como tô tão feliz a ponto de querer gritar, ia saber que isso é o de menos! - gargalha.
Ambos são surpreendidos com um abraço de Rafiki.
-Que grande dia para Mufasa, que grande dia para as terras do reino! Que grande dia para...
-Tudo bem, tudo bem, comitiva passando - Timão aparece abrindo caminho entre os leões - Todo mundo já entendeu que é um grande dia? Acho que sim, Pumba? - corta o barato do macaco, Rafiki resmunga.
-Que grande dia para Mufasa, que grande dia para as terras do reino! Que grande dia para...
-Tudo bem, tudo bem, comitiva passando - Timão aparece abrindo caminho entre os leões - Todo mundo já entendeu que é um grande dia? Acho que sim, Pumba? - corta o barato do macaco, Rafiki resmunga.
-Sim timão, é um grande dia pois...- é interrompido pelo dedo indicador do suricato.
-Ótimo, eu não quero ser o estraga prazeres de toda essa felicidade irradiante - Simba e Nala se entreolham divertidos, enquanto Kiara observa as reações confusas de Kovu - maaaas, a pergunta que todos querem saber é, e agora? - Timão junta as duas mãos olhando fixamente para Simba.
-Como assim? - pergunta o rei.
-Como assim? - pergunta o rei.
-Caro amigo, majestade, excelentíssimo Simba...- o olhar impaciente faz Timão entender que não deve ser prolixo - há um dia atrás estava todo mundo rugido pra lá, rugido pra cá, guerra, "vigiem minha filha " - Kiara revira os olhos instantaneamente - você sabe, essas coisas, então o que eu quero saber é qual será a nossa serventia, o que vai mudar, o que não vai, teremos que fazer uma constituição claro, além de...- as novas leoas ouvem atentas as palavras de Timão, a rainha percebe as expressões em expectativas pela resposta.
-Timão, que tal irmos aos poucos? - agora é a vez de Nala interromper, vendo que a cena está sendo seguida por dezenas de pares de olhos - é algo novo para todos nós. Já que você quer tanto ajudar, por que você e pumba, como grandes conhecedores das terras, não organizam uma excursão com os nossos novos moradores?
-Ma-mas...- ele está pronto para protestar.
-Não consigo pensar em ninguém melhor pra essa tarefa - concorda Simba - alguém tão eloquente como vocês poderiam ajudar os novatos a se adaptarem, além de explicar algumas normas.
Timão reflete por alguns segundos e decide se ater ao adjetivo "eloquente". Ser contra a proposta seria discordar da colocação de simba, pensa ele.
-Será um grande prazer. - ele anuncia sua rendição ao curvar-se.
-Um grande prazer majestade - o javali repete o gesto. Simba observa Zazu rindo discretamente do outro lado.
-E Zazu ajudará. - decreta simba, na mesma hora o pássaro se engasga coma saliva e Timão arregala os olhos - está decidido - diz antes que alguém tenha oportunidade de protestar.
-Será um grande prazer. - ele anuncia sua rendição ao curvar-se.
-Um grande prazer majestade - o javali repete o gesto. Simba observa Zazu rindo discretamente do outro lado.
-E Zazu ajudará. - decreta simba, na mesma hora o pássaro se engasga coma saliva e Timão arregala os olhos - está decidido - diz antes que alguém tenha oportunidade de protestar.
Os três saem resmungando, porém Timão e Pumba estão animados e levam um grupo de 10 leoas consigo, Zazu está apreensivo em ser devorado, o trauma de dançar entre os dentes de Scar ainda assombra sua mente.
- Aqui tem tanta figura - comenta Kovu se referindo à dupla e Rafiki.
-Você se acostuma - diz Kiara - os últimos dias me deixaram emocionalmente cansada, você quer ir até o lago se refrescar um pouco?
-Vamos, seria ótimo, confesso que tô um pouco tenso.
- Tenham cuidado, não se afastem muito! - Simba está preocupado, como de costume.
-Simba eles não são mais crianças... - diz Nala percebendo que de fato as mudanças são recentes demais.
-Pode ficar tranquilo Simba, eu a trago para casa em segurança, dou minha palavra. - Kovu dá um passo à frente, mãe e filha trocam um olhar cúmplice. Simba, mesmo apreensivo, assente e observa os dois partirem.
Kiara e Kovu vão até o lago mais próximo, no caminho, são felicitados por alguns outros súditos que os parabenizam pelo casamento. Kiara cumprimenta a todos com tamanha naturalidade, já Kovu está mais retraído, ele ainda se lembra quando foi expulso da pedra do rei, enquanto o cantavam "ele não é um de nós". Chegando no lago, eles param para beber e em seguida Kiara empurra seu parceiro e salta também, os dois brincam um com o outro, a leoa cospe jatinhos de água em Kovu, que retribui salpicando ondas nela.
-Fazia tempo que eu não me divertia assim - sorri. - estou tão aliviada.
-Imagino, você pelo menos se divertia, com Zira meu lazer era lutar. - Kiara acha engraçado como Kovu pesa o clima sem perceber.
-Eu espero fazer isso se tornar mais comum na sua vida a partir de agora - abraça-o.
-Sabia que meu treinamento foi adiantado por sua culpa? - Kiara o olha confusa - depois que a gente se encontrou quando era criança, e você piscou seus olhinhos pra mim - ele imita fazendo ela rir - minha mãe falou de você e da sua família, eu fui defender vocês e ela entendeu que deveria me treinar o quanto antes para te odiar.
-Amor, deve ter sido horrível...
-foi sim, teve até música.
-sério, qual?
-sério, qual?
-Graças aos reis eu não lembro.
-Mas eu lembro.
Kiara e Kovu dão um salto assustado como dois gatinhos assustados. Os olhos violeta de Vitani são os primeiros a aparecerem e em seguida seu corpo também. Ela estava dentro da água e ninguém sabe desde quando.
-Ficou maluca Vitani? que susto! - Kovu esbraveja.
-Meu Deus há quanto tempo você está aí? - Kiara está com o coração acelerado.
-Na verdade eu cheguei primeiro, pombinhos. Não quis atrapalhar vocês, então achei que seria uma boa oportunidade pra ver se minhas habilidades furtivas ainda estão em dia. - diz com expressão normalíssima, Kiara enxerga a semelhança com Kovu imediatamente - e a canção de mamãe era mais ou menos assim "música no ar"...
-Pelos reis! Pare. - Kovu a interrompe e Vitani ri.
-Não se preocupe, eu já estava de saída. O calor estava de matar - Ela pega impulso e sai para terra firme.
-Espera! - chama Kiara - você não foi com Timão e Pumba? eles estão mostrando o reino pra as outras leoas.
-Ah, aquele grupinho divertido? - diz em tom sarcástico - é que eu não tava muito no clima, saca? eu...ainda tô processando tudo. Afinal, só fazem três dias. Seria muito estranho se eu seguisse normalmente a vida depois de perder Nuka e Zira.
Kovu e Vitani trocam olhares e Kiara fica sem graça.
-Cada um tem um jeito de lidar com a dor Vitani. - diz Kovu.
-Não foi o que eu quis dizer Kovu. - ela permanece inexpressiva - só espero que você entenda que nem todo mundo encontrou algo pra se apoiar, como você, que ganhou uma nova família e propósito. Não quero fazer você se sentir culpado por isso, mas estou vivendo o luto sozinha.
Kiara olha para Kovu esperando sua reação, mas ele apenas assente. Vitani repete o gesto, acena para a cunhada e caminha na direção oposta.
-Amor...
-Agora não - ele a interrompe - por favor. Vamos só... terminar de aproveitar o banho.
Kiara suspira dividida, ela quer conversar com Vitani, mas entende pela reação de Kovu que talvez não seja o melhor momento. "A noite eu tento", pensa ela.
Enquanto isso, Vitani continua a exploração autônoma pelas terras do reino, sem perder o costume sorrateiro, ela ainda reflete se deveria mesmo ter falado aquilo na frente da esposa do irmão.
Kiara suspira dividida, ela quer conversar com Vitani, mas entende pela reação de Kovu que talvez não seja o melhor momento. "A noite eu tento", pensa ela.
Enquanto isso, Vitani continua a exploração autônoma pelas terras do reino, sem perder o costume sorrateiro, ela ainda reflete se deveria mesmo ter falado aquilo na frente da esposa do irmão.
Mas esse é o menor dos seus pensamentos. Está sentada na grama alta, observando um grupo de gazelas vivendo tranquilamente. Não está com fome, mas luta contra o instinto de atacar. No exílio, a caça não era opcional. Não haviam opções, nem um lagarto passava batido.
Agora sabia que teria comida a vontade, sem escassez. Poderia viver enfim, não só sobreviver.
Mas por que ao mesmo tempo que parecia ter tudo, sentia que não tinha nada?
Estava mais deslocada que nunca, essa era a verdade.
Tinha perdido Nuka, que em vida nunca foi valorizado, e em sua ânsia de provar seu valor, ceifou a vida. O bando, forçado a seguir as esperanças colocadas sob um plano de vingança, agora nem parecia lembrar mais dos antigos tempos, tão deslumbrados com as delícias das terras do reino.
Kovu, usado a vida inteira como uma arma, agora rejeitava o luto, não queria retornar ao passado.
Tudo isso culminava em apenas um nome: Zira. o motivo das mortes - fossem elas físicas ou emocionais - das pessoas que Vitani amava. Tanto esforço para construir um legado, e agora ninguém queria se lembrar da tirana.
A não ser Vitani.
-Ah Zira...- suspirou - você era terrível, mas aprendi a gostar de você.
-Cuidado pra ninguém te ouvir garotinha.
Vitani olha para trás desconfiada, não se assustou, havia sentido o cheiro e ouvido os passos da criatura, mas tinha ciência de que se tratava de algo inofensivo.
-Você é aquele macaco de estimação da nobreza né? Qual o seu nome mes...AI! - recebe uma cajadada na testa.
-E você deve ser a capacho número dois daquela leoa vigarista, não é? - Vitani fecha a cara - ahá! viu como é bom? - agora Rafiki consegue tirar um riso frouxo dela.
-Foi mal. Eu devo demorar a me acostumar com toda essa pompa e cordialidade, no exílio ninguém liga muito pra isso.
-Ela ainda vive em você.
- O que?
-Mas não deveria se culpar por deixá-la ir.
Vitani o encara e por fim entende, suspira desviando olhar para o horizonte.
-No fundo eu sei, sei mesmo. Só não parece certo.
-Agora você está de luto. Mas e quando chegar a hora? Vai conseguir deixar o passado para trás? - Vitani engole seco sem entender porque está se abrindo com um macaco desconhecido.
-É difícil dizer. Eu me sinto deslocada. Não quero voltar para o passado, mas ainda não consigo seguir em frente como todo mundo.
-Talvez você sinta saudade porque nunca aprendeu a ter um propósito fora dos planos da sua mãe. E agora que ela se foi, está sem sentido para viver pois não restou nada de você mesma.
ela silencia, refletindo por instantes nas palavras dele, o cajado dessa vez é a língua e ele acertou em cheio sua mente.
-Acho que eu não definiria tão bem quanto você, macaco. - Rafiki sorri. - Kovu não está muito diferente...digo, no final das contas, ele será mesmo rei, como Zira queria.
"Como Mufasa queria", pensou Rafiki. A melhor forma de frustrar os planos do inimigo, é usando o instrumento de maldição para gerar benção. O que Scar pensou ao ver Kovu se tornando genro de Simba? Era o que o macaco daria tudo para saber.
-Você está feliz pelo seu irmão?
-Sim, claro! quer dizer, eu só...sinto falta dele. Nossa criação foi idêntica e eu gostaria de conversar sobre tudo. Mas me sinto culpada por trazer esse assunto à tona em meio a tanta felicidade. Acho que nunca o vi feliz, na verdade.
-Bom, e pelas leoas? suas amigas?
-Muito. Feliz que uma nova perspectiva tenha sido ofertada a elas. Ninguém vive no exílio porque gosta, mas porque é o único jeito. Era na promessa de possuir a terra que Zira conseguia a lealdade delas. Quando se está vulnerável, você vira uma presa fácil pra ser manipulada.
-Foi o que Scar fez com as hienas.
-As vezes eu cheguei a pensar que Scar era uma lenda. Zira falava dele com tanta adoração e obstinação. Você o conheceu?
-Sim, ele e Mufasa, quando ainda eram muito jovens. - agora é Rafiki que parece guardar lembranças, Vitani só não sabe dizer olhando seu rosto se são boas ou ruins. - os dois são a prova de que não importa de onde você veio, isso não define quem você será, só suas escolhas podem dizer. Por isso meu conselho é que, por enquanto, enquanto não acha o seu lugar no ciclo, se está feliz por outros terem achado o deles, faça do seu propósito ajudar os outros a manterem esse lugar. Quem se ocupa ajudando os outros, uma hora é recompensado pelos reis do passado com o próprio caminho.
-Você está sugerindo que eu sorria para todos e finja que estou na mesma vibe?
-Não, eu estou dizendo que você pode usar todas as suas habilidades analíticas para mapear as possíveis ameaças à ordem, e à felicidade daqueles que você ama, como uma guardiã.
-Rum, não é uma má ideia - dá de ombros - até que você é mesmo sábio, macaquinho.
- Fui expulso do meu bando por ser sábio demais - vangloria-se sarcasticamente, em seguida, toca na nuca de Vitani. - seja o melhor dos dois mundos, criança.
-O que você quer diz...
Não há resposta, Rafiki dá as costas correndo e balbuciando algo que ela não entende, agora ela está surpresa de verdade. Ele foi embora sem mais nem menos.
Não há resposta, Rafiki dá as costas correndo e balbuciando algo que ela não entende, agora ela está surpresa de verdade. Ele foi embora sem mais nem menos.
"Deve ser coisa de macaco", pensa ela.
Um novo som toma sua atenção. Ruído, escandaloso, cheio de nuances.
São Timão e Pumba, junto com o bando de leoas, eles explicam algo sobre o local em que estão passando agora, como guias, Timão está empenhado em sua tarefa, enquanto Zazu está pousado em um dos chifres de Pumba.
Mas algo ainda mais singular captura a atenção de Vitani: A expressão sonhadora das leoas, encantadas com tudo que estão vendo e com as terras que agora chamam de lar. Elas parecem empolgadas, com expectativa estampada em seus rostos. O rosto de Kovu feliz, brincando com Kiara no lago também aparece em sua mente. Ela lembra do que Rafiki disse há pouco.
-É, realmente não e uma má ideia. - Vitani sorri genuinamente.
Enquanto isso, Rafiki volta para sua árvore entusiasmado. Ele sentiu no vento que Mufasa tinha uma mensagem para ele. Depois de tantos anos, o mandril já sabe quando o amigo quer se comunicar.
-Ora ora mufasa, veio me parabenizar hã? Você tem que admitir que aquele empurrãozinho no Upendi foi de matar, hahaha, Kiara e Kovu não resistiram aquilo - aponta o dedo indicador para cima.
Um vento forte entra pela abertura da árvore.
-Ora Mufasa, diga logo! Desembuche! - esbraveja cruzando os braços. - você não me dá um dia de folga?
O vento rodopia, trazendo algumas penas coloridas de aves. Rafiki não entende de primeira. Ouve o som de grasnados, coloca a cabeça para fora da toca e olhando para cima vê algumas aves em posição de V voando acima de sua árvore. Ele se recolhe novamente para dentro do abrigo.
-Vento que trás mudanças? Quem vai se mudar Mufasa? Todos mal acabaram de chegar, você está, louco, louco! - o vento dessa vez sopra no rosto de Rafiki - eu sei que eu disse isso da primeira vez também, mas o que importa!?
-Vento que trás mudanças? Quem vai se mudar Mufasa? Todos mal acabaram de chegar, você está, louco, louco! - o vento dessa vez sopra no rosto de Rafiki - eu sei que eu disse isso da primeira vez também, mas o que importa!?
Uma folha começa a fazer um movimento de vai e vem na frente de Rafiki até por fim cair no chão.
-Migração...coisas indo e coisas voltando. Entendi Mufasa, entendi, eu só espero que saiba o que está fazendo...- Rafiki vai para a entrada da toca e encara ao longe a pedra do rei - pelo visto as mudanças estão só começando.


